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JEC: A semana em que o futuro bate à porta
Enquanto a diretoria prepara sua defesa, o clube agoniza entre manobras de bastidores e a ausência de um plano real. A ruptura é a única saída
Por: Gabriel Fronzi
15:00:00 - 03/03/2026
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O tempo, no futebol, costuma ser medido em minutos. Noventa, para ser exato. É o tempo que define a glória ou o fracasso, a alegria de uma vitória ou a longa e silenciosa volta para casa. Mas há semanas em que o tempo se arrasta de outra forma. No Joinville, agora, os dias que correm não são contados pelo apito do árbitro, mas pelo prazo frio de um processo administrativo. A contagem regressiva para a diretoria apresentar sua defesa ao Conselho Deliberativo é o nosso novo clássico. A partida mais importante do ano não tem bola, não tem gramado. Apenas papel, caneta e o destino de uma paixão em jogo.
A ironia é que, enquanto o futuro é debatido em salas fechadas, o presente grita. E ele grita por algo tão básico quanto vital: recursos. Com o presidente licenciado e o vice no comando, a realidade que se impõe não é a de uma nova visão, mas a da velha e conhecida penúria. O clube se arrasta, contando moedas para pagar as contas mais básicas, um reflexo direto de uma gestão que transformou o JEC em um gigante de pés de barro, incapaz de gerar receita e honrar seus compromissos mais simples.
O poder que não se vê
Seria preciso uma dose cavalar de ingenuidade para crer que a licença de um e a posse do outro representam alguma virada de chave. Darthanhan e Derian, a dupla que assina a pior campanha da história do clube no estadual, continuam a partilhar decisões. O poder, no JEC, tornou-se um espectro que assombra os corredores, uma conversa ao pé do ouvido, longe dos olhos de quem ainda paga ingresso. Essa continuidade é um insulto à necessidade mais urgente do clube: a ruptura.
O que vemos é a manutenção de um modelo que já provou, em campo e fora dele, ser um fracasso retumbante. O novo comandante, com sua declarada falta de traquejo no universo da bola, soa mais como um zelador do caos do que como o arquiteto de uma nova era. O JEC segue sendo um corpo febril, e a estratégia, por enquanto, foi apenas trocar quem segura o termômetro.
Foto: Gustavo Mejia
O silêncio que ensurdece
Em meio a esse cenário, o silêncio dos notáveis da cidade é ensurdecedor. Os "novos grupos", as forças que poderiam trazer oxigênio e, principalmente, um choque de gestão, permanecem na penumbra. É um silêncio compreensível, talvez. Ninguém quer dançar no meio do incêndio. Mas a história não costuma perdoar a omissão. Enquanto o JEC se prepara para a Série D, a pergunta que fica é: quem está se preparando para o JEC?
A classificação na Copa do Brasil foi um alívio financeiro, mas não pode iludir. É o analgésico que mascara a dor, mas não cura a infecção. O que o Joinville precisa, de fato, é de uma intervenção. Uma limpeza de métodos, de vícios e de velhas práticas.
Ao fim desta semana, o Conselho Deliberativo terá em mãos mais do que um processo. Terá a chance de virar a rota da história. Encaminhar o impeachment para a Assembleia de Sócios é o único caminho para devolver ao torcedor a esperança de que o clube ainda pode ser maior do que as pessoas que o dirigem. É a chance de mostrar que a paixão, afinal, ainda pode vencer a incompetência.
Foto de capa: Jackson Gembro
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