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A Música Erudita em Joinville
Na coluna de hoje, conversei com nomes de destaque deste universo, que convivem diariamente com partituras, instrumentos e vozes.
Por: Rodrigo Domingos
08:15:00 - 05/03/2026
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Muitos dizem que a música clássica, erudita, é um segmento musical para poucos, e para alguns, até inacessível, rebuscada. Para outros, transcendental, mágica, o contato sonoro mais perto do divino.
Na coluna de hoje, conversei com nomes de destaque deste universo, que convivem diariamente com partituras, instrumentos, vozes, para mostrar o quanto ela pode ser democrática, social e conviver tranquilamente com outros ritmos musicais.
Projetos também como o Pianístico de Joinville, o maior do gênero na América do Sul, o Festival de Ópera, o Domingos Musicais, entre outros, ajudam a propagar o estilo em Joinville.
O gênero foi criado na Europa, em meados do século XVI, para encantar a reis e rainhas, e continua a ser associado à nobreza, elegância e erudição, mesmo cinco séculos depois, vem se adaptando aos novos públicos, gêneros e meios de informação.
A maestrina Fabrícia Piva é um destes nomes, incessante defensora da formação de orquestras em cidades, principalmente Joinville, bem como, a difusão e o fomento da música clássica em escolas públicas, e formação de novos músicos, ela segue abrindo caminhos, assim como o maestro Sérgio Ogawa, visionário e inovador com seu sonho, que já é uma realidade que é a Musicarium – Academia Filarmônica Brasileira.
Acompanhe minha conversa com a maestrina Fabricia Piva, o maestro Sérgio Ogawa, o maestro Rafael Huch, o barítono Douglas Hahn, e o pianista Matheus Alborghetti.
Fabricia Piva – maestrina - @fabriciapiva @espetaculosjoinville @orquestrasinfonicadesc
Fabricia me conte um pouco sobre sua trajetória na música, como foi o início?
Fabrícia: Comecei minha vida artística muito cedo. Aos seis anos já estava na Escola de Música Villa-Lobos, em Joinville, estudando piano e flauta doce, influenciada pelo meu irmão, que fazia violão clássico. Ao mesmo tempo, vivenciei o teatro, a escolinha de arte e o desenho artístico. A arte nunca foi um detalhe na minha trajetória; sempre foi o ambiente em que cresci.
Depois escolhi a viola e, em seguida, encontrei na regência meu caminho definitivo, sob a influência do maestro Tibor Reisner. Trabalhei como copista de partituras na Orquestra Filarmônica, aprendendo na prática o funcionamento interno de uma orquestra — uma verdadeira formação dentro do próprio ofício. Minha formação acadêmica inclui a Faculdade de Música da Belas Artes do Paraná e a UNESP – Instituto de Artes de São Paulo, onde aprofundei meus estudos e ampliei minha visão estética e pedagógica.
Em 1999 criei a Orquestra Experimental da Escola de Música Villa-Lobos, iniciando uma intensa produção cultural em Joinville, com projetos como De Chiquinha a Chico, A Breve História da MPB, História do Ouvir, Inserções Sonoras e Noites Brasileiras. Também compus dezenas de trilhas sonoras para teatro e atuei como regente da Orquestra Sociesc e da Orquestra de Espetáculos de Joinville.
Em 2013 fui selecionada para participar do curso internacional de regência com Cristian Orosanu, da Filarmônica de Brașov, experiência que ampliou minha perspectiva artística.
Desde então, estou à frente da Orquestra Cidade de Joinville, contribuindo para a implementação da primeira Orquestra Municipal de Santa Catarina e para a criação das Oficinas da Orquestra Cidade de Joinville, programa de extensão da Casa da Cultura que ofereceu 95 vagas para iniciação musical em instrumentos de orquestra.
Atualmente realizo projetos culturais por meio das leis de incentivo com a Orquestra Espetáculos de Joinville e atuo como maestrina da Orquestra Sinfônica de Santa Catarina e das Orquestras Villa-Lobos da Casa da Cultura.
Atualmente você está à frente da Orquestra Villa Lobos, da Casa da Cultura de Joinville e recentemente assumiu a direção artística da Orquestra Sinfônica de Florianópolis. Como você se sente, como mulher, maestrina e música?
Fabricia: Assumir a direção artística da Orquestra Sinfônica de Florianópolis, ao mesmo tempo em que permaneço à frente da Orquestra Villa-Lobos em Joinville, representa uma responsabilidade significativa. Como mulher, tenho consciência de ocupar um espaço historicamente predominantemente masculino. Estar nessa posição não é apenas uma conquista individual, mas também simbólica para muitas jovens que iniciam seus estudos musicais.
Como maestrina, meu compromisso é com a excelência artística, com a construção de identidade sonora e com o fortalecimento do diálogo entre repertórios e públicos. A orquestra é um organismo coletivo que exige escuta, liderança e sensibilidade. Como musicista, carrego a experiência do instrumento, do estudo e da prática constante, elementos que fundamentam minha atuação diante dos diferentes naipes.
Você já formou muitos violinistas, seu também instrumento, entre eles, Gabriel Vieira. Dos 7 aos 17 anos, toda criança tem talento, é perceptível. Como é ver hoje eles adultos, alguns grandes músicos?
Fabricia: A formação de jovens violinistas é uma dimensão essencial da minha trajetória. O violino é meu instrumento de base, e acompanhar um aluno por uma década, como no caso de Gabriel Vieira, é participar de um processo formativo profundo.
Ele é um talento nato, e meu papel foi oferecer espaço, método e oportunidade para que construísse sua própria história. Hoje atua como solista e produtor musical, consolidando-se como um dos profissionais de destaque em Santa Catarina.
Acredito que toda criança possui potencial. O talento pode se manifestar de diferentes formas: sensibilidade musical precoce, memória auditiva, disciplina, persistência ou criatividade. O desenvolvimento depende de orientação adequada, ambiente favorável e constância no estudo.
Ver ex-alunos atuando como músicos profissionais é compreender que a educação musical é um investimento de longo prazo. O professor orienta e cria condições; a trajetória é construída pelo próprio artista. Quando esses músicos passam a formar novas gerações, consolida-se um legado.
E conte sobre a Orquestra espetáculos de Joinville, uma das suas grandes paixões, e também sobre o projeto Music Anime Show. Como foi aliar música clássica com temas de animes?
Fabricia: A Orquestra Espetáculos de Joinville é um coletivo independente que desenvolve projetos conforme o apoio de empresas privadas e por meio das leis de incentivo à cultura. Não se trata de uma estrutura mantida por orçamento fixo; cada espetáculo é viabilizado por meio de planejamento, parcerias e articulação institucional. Essa característica garante liberdade criativa e diversidade de propostas artísticas.
O projeto Music Anime Show exemplifica essa abordagem. A proposta foi aliar música de concerto a trilhas de animes, muitas delas com escrita orquestral sofisticada e forte construção dramática. A iniciativa buscou criar pontes entre repertórios e ampliar o alcance da música sinfônica.
O resultado foi a formação de plateias diversificadas, aproximando o público jovem da experiência orquestral ao vivo e demonstrando que tradição e contemporaneidade podem dialogar com qualidade e rigor artístico.
Como você vê o futuro da música clássica?
Fabricia: Vejo o futuro da música clássica como um processo de transformação e adaptação. O modelo tradicional de concerto vem sendo reavaliado diante das mudanças culturais e tecnológicas. No entanto, a experiência ao vivo permanece insubstituível.
A continuidade da música de concerto depende da formação de público, da ampliação de repertórios, do diálogo com outras linguagens e da diversidade de perspectivas. As instituições que se conectam com suas comunidades tendem a se fortalecer.
A tradição permanece como fundamento, mas é a capacidade de diálogo com o presente que garantirá a vitalidade da música clássica nas próximas décadas.
Maestro Sérgio Ogawa - @ogawa.sergio @musicariumoficial
Conte um pouco sobre sua trajetória na música, como foi o início?
Sérgio Ogawa: Foi no ano de 1979, um ano muito desafiador, pois meu pai teve um AVC, que ficou com o lado direito do corpo, totalmente paralisado, tentar se alimentar era bem difícil, minha mãe ficou muito abalada, tanto física e emocionalmente com toda a situação.
Meu pai era executivo, jornalista, também escritor, e teve que parar todas as atividades. A vida da gente virou de ponta cabeça, principalmente na questão financeira, tínhamos que guardar todos as economias, para o tratamento do meu pai, e eu era único que apenas estudava, tinha apenas 11 anos de idade. meus irmãos já estavam na faculdade, coube a mim a missão de dedicar não só na parte de recuperação física do meu pai, o alimentava, enfim, sempre ajudava minha mãe nas tarefas domésticas, isso quando voltava da escola, eram praticamente 12 horas de dedicação.
E minha irmã mais velha, vendo todo o meu desgaste diante da situação, ficou bastante preocupada e me indicou um hobby , algo artístico, e indicou a música, me levando numa banda infantojuvenil, lá comecei com ajuda de amigos e irmãos, que me emprestaram uma clarineta.
Alguns anos depois, em 1982, atuava com um dos responsáveis pelo naipe de clarinetas, dessa banda infantojuvenil, e o coordenador da banda queria criar uma orquestra, e falou que era importante que a gente estudasse cordas, principalmente violinos, que é o maior efetivo dentro de uma orquestra, numa orquestra de 100 músicos, no mínimo 30 são violinos.
Só que tinha um grande problema, ele me levou para um professor particular, onde na maioria dos alunos eram filhos de executivos japoneses e o valor da aula era muito alto, cerca de $100, dólares, uma aula por semana de 50 minutos, imagina quatro aulas por mês, atingia em cheio o tratamento do meu pai.
Aí começou a saga a procura de professores particulares e muitos nãos, ninguém queria dar aula de graça, já tinha 14 anos, muitos começam com 4 anos no estudo de violino, foi desafiador, e apenas alguns meses de algumas procuras, que tive oportunidade de conhecer um projeto do sistema S (um conjunto de nove instituições privadas de interesse público (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SEBRAE, SENAR, SENAT, SEST, SESCOOP).
Lá eram aulas coletivas, coloquei os sete primeiros alunos, e deu muito certo, depois as crianças foram se desenvolvendo, entraram em escolas municipais, estaduais de música, eu mesmo entrei na Universidade Livre de Música, atual EMESP, Escola de Música do Estado de São Paulo, o grupo que eram um pouco mais de 10 alunos, aumentou para quase 120.
Em 1990, foi aí que comecei a estudar oboé, violino, e também estudei regência na universidade, passaram –se os anos eu já estava regendo no Brasil e no exterior, América do Sul, Japão, Estados Unidos, inclusive em 2012 fizemos um turnê nos Estados Unidos, e fizemos concerto numa sala, num Concert Hall, projetada pela Nagata Acoustics, e foi lá que tive o desejo, de construir um Concert Hall no Brasil.
Como foi chegar em Joinville no ano de 2016, com o objetivo de formar uma orquestra filarmônica de referência, posteriormente, se tornando o Musicarium Academia Filarmônica Brasileira, uma instituição privada, sem fins lucrativos?
Sérgio Ogawa: Antes de tomar a decisão de vir para Joinville, conversei com várias pessoas, inclusive meu irmão mais velho, executivo de empresa, acostumado a fazer entrevistas para novos colaboradores de empresas multinacionais, e me fez algumas perguntas, primeiro se eu iria fazer aquilo que amo, indaguei que sim, iria trabalhar com educação, música, formação de crianças e obvéns, formação de orquestra, trabalho social, cultural, no mesmo local, é extraordinário.
A segunda pergunta foi a de que eu faria com excelência este trabalho, respondi sim. O outro questionamento era se seria remunerado, ou seria um trabalho voluntário, sim, trabalharia inicialmente como consultor e se desse certo iria dar continuidade, um contrato provisório de dois ou três anos, e a quarta pergunta, foi a de que meu trabalho iria impactar positivamente a cidade de Joinville, a ponto de se tornar um trabalho que poderia influenciar ser uma referência, também no país, balancei a cabeça e disse sim.
Então ele disse para eu fazer as malas, depois de 10 dias mudei todo meu rumo de vida, para iniciar do zero com crianças da rede pública, abrimos 100 vagas iniciais, e vieram mais de setecentas candidatos, foi algo extraordinário, ver a procura, a vontade das crianças, dos jovens e de suas famílias, em absorver cultura, música, e vi que tínhamos uma demanda muito grande.
Mais tarde com a demanda, para adquirirmos instrumentos de qualidade, tivemos que ampliar nosso escopo de captação de captação de recursos, e para isso, o Instituto Coree de Música, se tornou Musicarium Academia Filarmônica Brasileira, uma Associação sem fins lucrativos.
Com personalidade jurídica própria, com esse aspecto sociocultural, de busca de alta performance, não é um projeto social, é uma instituição de formação de músicos profissionais de orquestra, e que objetiva formar diversos grupos de câmera profissionais e a grande orquestra filarmônica profissional em 2030, que se torne uma referência não só no Brasil, mais também internacional, de excelência artística, para que leve a imagem positiva do Brasil no exterior e atraia cada vez mais apoio, não só do Brasil, mais também de outros países, para que mantenha todo estrutura da Academia Brasileira de Música e o Concert Hall.
Como funciona o centro de formação de orquestras, que dá a centenas de crianças e jovens a oportunidade de se tornarem músicos profissionais de alta performance e integrarem o corpo docente e a Orquestra Filarmônica do Musicarium?
Sérgio Ogawa: Hoje temos um dos maiores acervos de instrumentos de nível profissional, talvez um dos melhores e maiores, hoje todos os instrumentos são importados, não temos fábricas no Brasil, conseguimos o apoio de várias indústrias.
Esses alunos têm aulas individuais de instrumentos, aulas de teoria musical, música de câmara, música orquestral, composição, é praticamente uma faculdade de música para crianças e adolescentes. Eles ainda recebem bolsa auxílio, para todos os alunos da Orquestra Jovem, investimos na formação profissional.
Dentro do cenário brasileiro já somos considerados uma orquestra jovem de alta performance. Faremos novamente uma turnê internacional, com mais de 70 músicos, para os Estados Unidos em 2027 e para o Japão em 2028.
Visando a ampliação da acessibilidade param alunos de todo o Brasil, você está conduzindo um projeto de mobilização de recursos para construção da futura sede própria do Musicarium. Como está o andamento deste projeto?
Sérgio Ogawa: Atualmente estamos em viagem de pré produção, tanto nos Estados Unidos, como no Japão, visitando salas de concertos, em especial, os Concerts Halls, projetados pela Nagata Acoustics, que está trabalhando junto com mais de 20 arquitetos, engenheiros, designers de todas as disciplinas, desta futura sede do Musicarium.
O espaço terá a Academia de Música e a Sala de Concertos, mais de 50 salas de estudos, uma sala de concerto para aproximadamente 850 pessoas, uma acústica extraordinária, com previsão de lançamento da campanha de captação de recursos para construção.
No segundo semestre desta ano, esperamos ter um ótimo engajamento nesta campanha e iniciarmos a primeira etapa desta construção já em 2027, concluirmos o prédio, a infraestrutura, sem os interiores em 2030, temos esperança pelo memos a parte da Academia, tenha finalizado em 2030, e em 2032 concluir os interiores do Concert Hall, que vai ser a casa da Orquestra Filarmônica profissional.
O futuro do Musicarium será o de ter o melhor equipamento de formação musical e de desenvolvimento artístico, vamos receber não só orquestras, professores, grupos internacionais, não só da música erudita, mais também do jazz, diversas vertentes musicais de qualidade, nesse equipamento cultural, que vai trazer investimento turístico, gastronômico, um turismo qualificado, para nossa região.
Com certeza isso será muito importante, criar diversas fontes de recursos, para manter o que é o mais importante, as bolsas de estudos, a formação das nossas crianças e jovens, não só de Joinville, fazendo da nossa região, um dos maiores polos culturais da América latina.
Orquestra Prelúdio - maestro Rafael Huch
Conte um pouco sobre sua trajetória na música, como foi o início?
Rafael Huch: A minha trajetória na música ela deu-se no primeiro momento dentro da música sacra, dentro da igreja luterana, ali eu comecei meus primeiros acompanhamentos com coro e também algumas celebrações. Eu comecei bem cedo na verdade, com 14 anos, foi a primeira vez que regi um coro, aos 16 anos então inicia minha vida profissional de fato contratado maestro.
Isso ainda se dá no âmbito da igreja luterana em Joinville. Porque ela tem esse trabalho de contratação de músicos profissionais, então sou profissional desde 2002.
A Orquestra Prelúdio foi fundada em 2011, é um conjunto de câmara conhecido por unir música erudita a estilos populares, sob a sua direção. Como funciona o projeto, o como você vê a receptividade do público?
Rafael Huch: A Orquestra Prelúdio surge, quando eu estou já na minha graduação de música em Curitiba, eu sou bacharel em composição e regência orquestral, que é a faculdade de nível superior para maestro.
Sou formado pela Universidade Estadual do Paraná, onde fiquei seis anos, porque são dois cursos em um, composição e regência. No segundo, terceiro ano da faculdade, fui procurado por alguns músicos ainda crianças que queriam uma opção de orquestra, prática musical em conjunto, essa conversa evoluiu, e no finalzinho de 2010 idealizamos como seria esse início.
Em 2011 de fato foi formado esse primeiro grupo, ainda não era uma orquestra de formação completa, sendo que ainda tivemos algumas fases dentro da Orquestra Prelúdio, ainda em 2011, submeti um projeto no sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura, o SIMDEC, que era o “Prelúdio Despertar de uma Orquestra”, e a a partir do segundo semestre então de 2011, conseguimos abrir vagas para músicos da cidade que quisessem aderir ao projeto.
A grande virada de chave, aconteceu em 2017 com a criação da Associação Cultural Artística de Joinville.
A orquestra é bastante conhecida por mesclar a música clássica com outros gêneros musicais. Projetos como o "Rock in Concert" e a “Orquestra Prelúdio Vai ao Cinema”, são bons exemplos disso. Como foi desenvolver estes projetos e reger?
Rafael Huch: Em 2018 nós pensamos que precisávamos ampliar o acesso das pessoas, na verdade cativar o público para que ele viesse assistir concerto de orquestra. Nosso público era da melhor idade, com uma prévia educação musical e queríamos também um público mais jovem.
Em 2019 foi nossa estreia com a “Orquestra Prelúdio Vai ao Cinema”, foi um sucesso, recordo que era julho, uma noite fria, foi no Teatro Juarez machado, uma hora antes do espetáculo já havia pessoas aguardando um lugar. Lotamos o teatro com 500 pessoas e ainda ficaram 300 de fora, fizemos uma segunda sessão, foi uma experiência muito boa, e essa mescla da música popular, ela traz um público.
No mesmo ano fizemos uma” Cantata de Bach”, na igreja da paz, e tivemos um público de setecentas e cinquenta pessoas, então prova que realmente essa migração ela acontece.
O "Rock in Concert", que aconteceu em 2022, a primeira edição, e que também foi um sucesso, com três sessões lotadas.
Algum novo projeto da orquestra em mente?
Rafael Huch: Em relação a orquestra, nós teremos este ano de 2026, um ano bem comemorativo, já que comemoramos 15 anos. Vamos ter o lançamento da nova marca, e ainda no primeiro semestre, um novo projeto que são “Clássicos do Pop Rock, músicas dos anos 80 e 90, os arranjos já estão prontos. Outro projeto que tenho certeza de que será um sucesso, já que é um pedido do nosso público.
Nós vamos ter um concerto comemorativo no mês de maio, aberto para toda comunidade, onde reuniremos também a imprensa, nossos patrocinadores, e iremos homenagear amigos e parceiros da orquestra, aqueles que desde o início e até hoje, nos abraçam e acreditam neste projeto, assim como nós acreditamos.
Já para o segundo semestre teremos a 4ª edição da “Orquestra Prelúdio Vai ao Cinema” e teremos também uma obra erudita, com coro e orquestra que nunca foi apresentado na cidade de Joinville, do compositor francês Gabriel Fauré, que é um réquiem, uma obra lindíssima que está sendo preparada, e com certeza causará grande impacto.
Quais são os cursos oferecidos na Prelúdio Academia de Arte?
Rafael Huch: A Academia de Arte surge em 2021, eu sou também o diretor, estamos indo para o 5º ano. A escola vem numa linha mais pedagógica, são aulas de música, para todas as idades, nós oferecemos mais de 17 cursos, violino, violão, piano, entre outros. A escola também está indo numa crescente em Joinville, estamos crescendo aos poucos, nos consolidando, também sendo uma referência na cidade.
Como você vê o futuro da música clássica?
Rafael Huch: A música clássica, a música erudita, ela tem sempre alguns desafios, ainda mais nesse período que nós estamos, com o avanço da inteligência artificial e tantas outras questões.
Agora eu vejo que a música clássica, ela é uma das artes, uma das formas dessas expressões artísticas, que ela transmite muita emoção e sensibilidade, então assim eu creio, e acredito, que a música clássica vai se consolidar ainda mais, porque tem coisas que a inteligência artificial não consegue nos trazer.
Agora imagina uma apresentação de dança ou uma apresentação de música, com um robô tocando? Você pode até achar bonito, mas não tem expressão, não carrega sentimento, nada substitui você se sentar numa sala de concerto e assistir uma orquestra, ver um músico interagindo contigo, ou você assistir um bailarino tendo uma performance muito bem-feita.
Eu acho que nós temos que dialogar com muito mais pessoas do que nós dialogamos hoje, mas eu vejo que nós temos desafios comuns enquanto classe, mas os músicos, eles estão aos poucos aprendendo também, que nós precisamos nos organizar, e isso é muito importante porque se nós não tivemos uma organização, nós não vamos conseguir chegar aonde nós precisamos.
Então eu acredito sim na música como dois eixos, primeiro como ferramenta de transformação social, nós temos um projeto social aí que tem mais de 100 crianças de forma gratuita, que nós já lançamos em 2018, que é o “Música e Cidadania”, um projeto muito importante também que é um braço social da orquestra, então eu acredito que tem essas duas vertentes né a música como ferramenta de transformação social e ao mesmo tempo a música como fruição ou como algo que transcende.
Douglas Hahn - Cantor Lírico e barítono - @handouglas
Conte um pouco sobre sua trajetória na música erudita, como foi o início?
Douglas Hahn: Meu primeiro contato com a música erudita foi através do canto coral da igreja católica ainda adolescente, posteriormente em 1990 iniciei meus estudos de canto na Escola de Música Villa Lobos da Casa da Cultura, onde permaneci até 1995.
Iniciei meu aperfeiçoamento de canto lírico em Curitiba com os mestres Rio Novello e Neyde Thomas já em 1994, e em 1996 fiz minha estreia com a ópera o Guarani de Carlos Gomes, iniciando assim minha trajetória profissional. Durante o período inicial da carreira participei também de alguns concursos de canto lírico no Brasil, onde obtive premiações (Maria Callas 1997, Carlos Gomes 1996) que deram uma boa visibilidade para contatos e audições em teatros e assim oportunidades foram criadas e posteriormente os primeiros contratos.
E assim foi se desenvolvendo a trajetória que esse ano completa 30 anos de carreira. Muitas premiações ao longo dessa trajetória aconteceram como a Medalha Aldo Kruger pela ACLA (Academia de Letras e Artes de Santa Catarina); pela Pró Música de Florianópolis, recentemente pela Câmara de Vereadores de Joinville com o Título de Cidadão Benemérito de Joinville pelos serviços prestados à cultura em Joinville e por levar o nome de Joinville a importantes casas de ópera da América do Sul.
Você já participou de diversas apresentações de ópera, qual a que mais te marcou?
Douglas Hahn: Muitas montagens marcaram minha trajetória, com certeza com o passar dos anos e com o amadurecimento como artista, fez com que algumas temporadas fossem marcantes, bem como, alguns personagens que estão no repertório.
Retornar ao Theatro Municipal de São Paulo sempre é uma grande emoção, minha estreia foi em 1997 com a ópera “O Elixir do Amor” e lá se vão 16 temporadas que participei até o momento, sendo a última “Macbeth” ano passado.
Ter realizado 02 títulos no monumental Teatro Colón de Buenos Aires “O Baile de Máscaras” "Macbeth” em 2016, também foram marcantes. E claro que realizar a ópera “Rigoletto” na nossa Harmonia Lyra foi histórico e vou guardar sempre com muita emoção.
Você atualmente é considerado um dos barítonos mais atuantes do país, como você vê isso?
Douglas Hahn: Fico eternamente grato aos meus mestres pela formação que tive e sem isso certamente não teria conseguido chegar nesse nível de trabalho, a formação técnica é fundamental para seguir nessa carreira.
Agradeço a Deus, a minha família (esposa e mãe) pelo incentivo e apoio constante em todos os momentos, quando muitos não acreditavam que eu poderia sobreviver dessa arte. A carreira de solista é muito difícil, solitária e exigente.
Ter iniciado uma carreira longe de um grande centro como São Paulo, e ter se estabelecido na minha cidade (Joinville), também foi uma grande vitória. Me sinto feliz e realizado apesar de muitas dificuldades que passei e estar neste ano completando 30 anos de dedicação exclusiva a essa carreira, só me faz ter certeza de que deu certo e que valeu muito a pena.
E sua parceria com a Harmonia Lyra?
Douglas Hahn: Minha parceria se iniciou em 2014 (junho), quando fui convidado pela maestra Fabricia Piva a realizar um concerto com a extinta Orquestra de Joinville.
Momento importante de poder apresentar meu trabalho na minha cidade e aproximar o público da ópera. Nasceu uma bela parceria de retomada cultural da Harmonia Lyra, onde pude contribuir e ajudar na elaboração de alguns projetos de formação de plateia e música de câmara (Interlúdio e o Festival de Ópera de Joinville), que tem conseguido ao longo desse período fomentar a arte erudita em nossa cidade.
Temos muito a evoluir e fazer pela Harmonia Lyra e pela nossa cidade, no que diz respeito à formação de público e termos uma temporada de ópera ou de concertos regulares em diversos espaços. Joinville tem grande potencial na área cultural e acredito que muito em breve seremos referência também nesse segmento.
Você considera ópera um segmento musical elitizado?
Douglas Hahn: A ópera bem como tudo que se trata do termo erudito (concerto, balé, música de câmara) precisa ser trabalhado e difundido pouco a pouco. Projetos de formação que permitam o acesso ao público, certamente são fundamentais para a popularização da ópera.
É necessário termos projetos que levem esse gênero musical às mais diversas partes da nossa cidade. Eu não vejo a ópera como uma arte elitizada, pelo contrário, hoje temos as legendas que fazem transmissão simultânea como se fosse no cinema. É um espetáculo para o povo.... assim como nasceu na sua época.
E o Theatro Municipal de São Paulo em sua vida?
Douglas Hahn: Emoção, minha casa... é o teatro que mais me apresento e onde tive prazer de estar presente até o momento com 16 títulos. É um privilégio e uma grande alegria e honra estar presente nas temporadas do principal teatro de ópera do país. Ele tem uma magia e história dentro da arte lírica mundial.
Temporadas dos áureos tempos da lírica mundial com artistas do calibre de Maria Callas, Renata Tebaldi, Mario del Monaco e tantos outras lendas da lírica estiveram presentes nesta casa. Meu sentimento que sempre vou guardar é a gratidão, por sempre ser acolhido com muito carinho por esta casa maravilhosa. Que venham ainda mais temporadas com grandes títulos.
Uma vez em uma entrevista você me respondeu que essa carreira de cantor lírico você não escolhe ser, e sim ser escolhido. Ainda concorda com isso, e quais são seus planos para o futuro?
Douglas Hahn: Certamente, contínuo com a mesma opinião, a carreira de um solista, bailarino, instrumentista e maestro são carreiras que muitos gostariam de seguir, como diria minha mestra Neyde Thomas (in memoriam) muitos são chamados, mas poucos serão escolhidos, por muitos motivos.
Ela dizia que a carreira é um sacerdócio, ou seja, uma dedicação exclusiva onde você precisa renunciar de muitas coisas importantes. Eu não nunca esqueci esses ensinamentos e conselhos e não tenho dúvida que consegui vencer nessa carreira por conta disso. Ser comprometido com essa arte requer muita dedicação e se abster desse mundo de apenas entretenimento que a mídia nos oferece.
Meus planos para o futuro, estão nas mãos de Deus sempre, enquanto meu instrumento (corpo) me der condições de poder interpretar uma obra com dignidade e capacidade de entregar o melhor para o público, estarei firme, e nesse propósito de chegar aos 40 anos de carreira. Paralelamente a isso, gosto muito de me dedicar à formação de jovens cantores e ministrando aulas de canto e repertório, auxiliando no que for necessário a formação dos novos artistas líricos.
Tenho realizado esse trabalho na Sociedade Harmonia Lyra juntamente com o pianista Matheus Alborghetti e muito em breve lançaremos uma grande promessa da lírica joinvilense, aguardem!
Matheus Alborghetti – pianista - @pianista_alborhetti
Você nasceu em Pederneiras (SP) e veio para Joinville com a mãe em busca de uma vida, influenciado pela avó, que já tocava piano, começou a fazer aulas na Casa da Cultura. O que representa Joinville para você?
Matheus Alborghetti: Sim, viemos à Joinville com sonhos e esperança de um recomeço. Com a repentina perda do meu pai e o apoio de meus avós maternos, nos mudamos para Joinville em 2004: minha mãe Adrijana, minha irmã Ana Paula (agora, do meio) e eu.
Já tínhamos vindo à casa deles em outras ocasiões, recebi algumas aulas de piano da minha avó Alda. Porém, a partir da mudança para o sul, tive o contato diário com esse instrumento.
É claro que segui com mais aulas com a minha avó, mas ela percebeu o avanço e avisou à minha mãe que eu poderia seguir os estudos de forma mais sistemática. No ano seguinte comecei na Casa da Cultura.
Tive algumas oportunidades de trabalho (futuras na época) das quais o elo de conexão foi a Casa da Cultura. Fosse pela visibilidade dos concertos da escola ou mesmo pelos contatos, a escola esteve presente neste meu início profissional: concertos com a então ativa Camerata Dona Francisca e com a Banda do Corpo de Bombeiros.
Desta mesma forma tive meu primeiro trabalho regular, aos 16 anos, com a Sociedade Cultural Lírica, através do maestro Rafael Huch. Tive a honra de poder me desenvolver com o coral da Sociedade por longos anos, me fazendo conhecido pela cidade através dos concertos que realizávamos.
Mas reconheço que ainda desconhecia o piano por completo, ainda faltava uma lacuna a ser preenchida - e não sabia o que era. Houve um desvio passageiro da Música para a Farmácia em 2012-2014, e vi que não era o caminho.
Até que uma ligação muda o rumo novamente para a Música: o barítono Douglas Hahn estava à procura de um pianista. Através dele que descobri o mundo que até hoje me dedico, e vi a tal lacuna sendo preenchida. Sou um pianista correpetidor!
Neste novo mundo, a Ópera, tive a honra de me desenvolver num dos palcos mais propícios à música acústica. A Sociedade Harmonia Lyra é o templo no qual me dediquei, sob a tutela de Douglas, ao trabalho de correpetição (ou seja, de preparador e ensaiador de cantores líricos para determinada ópera). Foram ao menos cinco óperas realizadas na cidade, neste período de 12 anos, além de inúmeros concertos e séries de música de câmara.
Você vai dos clássicos como Vivaldi, Carlos Gomes e Heitor Villa Lobos, ao tango e ópera. Como se dá esse seu ecletismo musical?
Matheus Alborghetti: Ah, nestas situações as partituras são sempre minhas fiéis parceiras! Graças ao bom Deus, desenvolvi uma leitura significativa de partitura que tem me permitido transitar por alguns segmentos da música.
É claro que a partitura é somente uma "bula", uma "receita", o caminho em que o compositor decidiu eternizar o som que idealizou. Cabe ao músico, contudo, se familiarizar a esse caminho com as devidas flexibilizações (cada estilo musical tem suas características e identidades). É a magia da música!
Você já viajou para Colômbia e em cidades como São Paulo, no prestigiado Theatro Municipal, Rio de Janeiro, Curitiba, Manaus, participou de grandes festivais. Como é a receptividade do público e a importância disso para você?
Matheus Alborghetti: Tivemos grandes artistas que foram convidados pela importância e qualidade artística em muitos concertos aqui em Joinville. Cantores que estão no circuito brasileiro e internacional (Douglas Hahn, Giovanni Tristacci, Luciana Bueno, entre outros), maestros e diretores de cena que atuam nos principais teatros e casas de ópera do Brasil (Alessandro Sangiorgi, Sulanger Bavaresco, Gabriel Rhein-Schirato, entre outros).
Esta troca me permitiu não somente conhecer o mundo operístico em Joinville, mas também levar Joinville para o mundo. E o mais longe que fui, até então, foi à Colômbia no ano passado, na estreia absoluta da ópera La Vorágine, fruto da parceria Bogotá-Manaus. Poder ter sido um dos representantes brasileiros em meio à vasta cultura colombiana foi uma experiência enriquecedora.
Atualmente tenho participado do Festival Amazonas de Ópera (FAO), um dos maiores da América Latina; do Festival de Música de Santa Catarina (FEMUSC), em Jaraguá do Sul. Participei de montagens de óperas, masterclasses de canto lírico e concertos em São Paulo (Theatro Municipal, OSESP), Curitiba, Belém, Cuiabá, interior de São Paulo e Paraná.
Observo sempre que o público deve estar intimamente ligado ao que é novo. Tive experiência com todo tipo de público, e algumas delas muito surpreendentes. As que sempre nos marcam como músicos são as que a plateia está aberta ao que faremos no palco, mesmo que nunca tenham tido contato com isso. É uma qualidade que admiro e procuro alimentar nas pessoas.
Qual o projeto ou apresentação que mais te marcou enquanto pianista?
Matheus Alborghetti: Considero muito a ida à Colômbia como um marco internacional. Mas o que me marcou, e ainda é recente, foi a preparação da ópera Wozzeck (semi-encenada) na Sala São Paulo. Uma das salas de concerto mais conhecidas e prestigiadas da América, cantores e instrumentistas de excelentíssima qualidade. Cada detalhe musical tem uma riqueza, cada sutileza tem um significado... Além de que também foi uma das peças mais difíceis que acompanhei, sem sombra de dúvidas...
E seus planos para o futuro, enquanto pianista, quais são?
Matheus Alborghetti: Há muito repertório a ser explorado e muitos teatros a serem visitados. Desejo sempre que o constante aprendizado e o desejo de novidade façam parte do meu cotidiano musical, pois é justamente isto que me move mundo afora a compartilhar música para as pessoas.
Saiba mais
Escola de Música Vila Lobos
- Anexo a Casa da Cultura: Rua Dona Francisca, 800 – Saguaçu
- @amigoscasadacultura
Orquestra Sinfônica de Santa Catarina
- Rua Trajano, 168, 4० andar, Florianópolis - SC
- Telefone: (48) 9 9962-9088
- E-mail: contato@ossca.com.br
Orquestra Prelúdio
- https://orquestrapreludio.com.br/
- https://preludioacademiadearte.com.br/
Harmonia Lyra
- Rua Quinze de Novembro, 485
- Telefone: (47) 3422-3920
- Site: https://harmonialyra.com.br/
- @harmonialyra
Musicarium Academia Filarmônica Brasileira
- Rua Gothard Kaesemodel, 170, no bairro Anita Garibaldi
- Telefone: (47) 3121-6724
- Site: https://musicarium.org.br/
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